Deixo meus escritos como deixo minha alma.
A esquecida estante empoeirada:
O pó e a teia cresce num ritmo débil;
O peso dos estrangeiros enverga a madeira;
Estrangeiros? Não sei ao certo, pois talvez seja eu o todo.
Deleito-me na frustrada tentativa de separar a sujeira do não sujo.
Surpreendo-me nas surpresas que já tinham há tempo sido anunciadas.
Seria isso o orgulho? Seria isso a vergonha?
Todo ou parte, isso tanto faz - eles me enxergam por fora.
Essa estante há de ser vitrine, por ora.
Limpe. Arrume. Exponha o magnífico, o impecável.
Já não importa se o limpo é o que existe de mais sujo.
quarta-feira, 9 de março de 2011
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