falarei sobre coisas óbvias. a cultura do consumo. me intriga ver a complexidade de relações comerciais envolvidas na construção de uma única edificação. mas o que me espanta é a complexidade da configuração urbana atual.
devaneios no macdonalds. mas a visão ampla pra uma avenidade muito movimentada me fez pensar. tudo aquilo estava na Terra; tudo aquilo roubado pelo consumo.
os animais vivem pra continuação da espécie. digo que nós vivemos pra continuaçao do consumo. consumir é o novo deus dos homens.
interessante é notar que nessa religião, o poder de consumo tem grande importância na imagem social. imagine um mendigo e um rico. qual a diferença humana entre eles? nenhuma. ambos podem ser dotados de inúmeras qualidades. porém, a visibilidade de virtudes é ofuscada pelo poder de compra, isso determina o vencedor e o perdedor "na vida". agora vejamos : qual é o valor humano nisso? nenhum.
o homem gasta sua vida para poder consumir. todos nós somos consumistas? facílimo afirmar que não. no entanto, a lógica do sistema torna impossível não consumir. ficamos presos então a essa configuração: dedicamos maior parte do tempo pra manter o sistema. há alguém que ganhe com isso? no fundo, não. A pessoa mais rica do mundo apenas pode consumir mais; mas também gasta sua vida pelo consumo. Na verdade, ambos vencedores e perdedores são marionetes desse sistema que não tem dono. Ele ganhou vida própria e é eterno.
mas para que tanta comoção para uma coisa tão óbvia? simples, quero chegar no assunto da prostituição. apesar de eu ter citado que, no fundo, todos nós somos putas do sistema, a verdadeira prostituta é o ápice da evolução capitalista. literalmente entrega-se mente e corpo pelo dinheiro. no entanto, é irônico que haja tanto preconceito, visto que esse método de enriquecimento talvez seja mais honesto que muitos outros. afinal, qual é o problema de render seu próprio corpo para o capitalismo? todos nós rendemos a vida, de qualquer modo. Um patrão explora corpos alheios e nem por isso sofre tanta degradação social.
Fato curioso é que a profissão é uma das mais antigas. como pode o ápice do capitalismo ter começado antes mesmo da consolidação deste? paradoxos da história.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Considerações
Nessa Terra deixo nada.
Pr'essa gente deixo saudades.
Saudades breves:
tenho dois irmãos e há muito homem melhor que eu Nessa Terra.
Não sei fazer um testamento, nem uma carta de despedida.
Isso? Mero teste.
Não sinto grande empolgação na vida.
Mas ainda repugno a morte.
Maldita incompetência.
Bendita covardia.
Pr'essa gente deixo saudades.
Saudades breves:
tenho dois irmãos e há muito homem melhor que eu Nessa Terra.
Não sei fazer um testamento, nem uma carta de despedida.
Isso? Mero teste.
Não sinto grande empolgação na vida.
Mas ainda repugno a morte.
Maldita incompetência.
Bendita covardia.
Liberdade?
Qual é o limite da liberdade?
Há um paradoxo nisso. Só um tolo perguntaria.
Mas uma brincadeira pode criar tanto diversão quanto ódio alheio.
Como saber que os atos inocentes são na verdade uma ofensa para o outro?
Não há motivos para reportar o trivial.
Que talvez não é trivial.
Mas quem lhe dirá que não é?
Há um paradoxo nisso. Só um tolo perguntaria.
Mas uma brincadeira pode criar tanto diversão quanto ódio alheio.
Como saber que os atos inocentes são na verdade uma ofensa para o outro?
Não há motivos para reportar o trivial.
Que talvez não é trivial.
Mas quem lhe dirá que não é?
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Cachorro amarrado no poste, esperando ansiosamente pelo dono.
Cachorro que só late.
Cachorro chato.
Cachorro insuportável.
Chora como um desgraçado, que deveras é.
Sinto um súbito ímpeto de chutar. Exito.
Não. Ele há de esperar o dono...
que há de chegar.
que há de chegar..
que há de chegar...
Cachorro estúpido, por que choras por uma espera tão breve?
Assim, seu dono largar-te-á.
Estúpido cachorro sem nome.
Cachorro que só late.
Cachorro chato.
Cachorro insuportável.
Chora como um desgraçado, que deveras é.
Sinto um súbito ímpeto de chutar. Exito.
Não. Ele há de esperar o dono...
que há de chegar.
que há de chegar..
que há de chegar...
Cachorro estúpido, por que choras por uma espera tão breve?
Assim, seu dono largar-te-á.
Estúpido cachorro sem nome.
terça-feira, 1 de julho de 2008
perplexidade das coisas óbvias.
Assim como a morte só existe com a vida, a traição só existe com amor.
Por que não construir o que destruímos em vez de destruir o que construímos?
A ordem, perversa. Mas natural.
Haveria o gozo sem o coito.
A reconciliação sem a briga.
A satisfação sem o esforço.
A felicidade sem motivos.
Porém.
Não existiria o amor, só confiança.
Felicidade sem sorriso.
Choro sem sentimento
Vida sem a música.
E.
Eu, sem meu amor.
Por que não construir o que destruímos em vez de destruir o que construímos?
A ordem, perversa. Mas natural.
Haveria o gozo sem o coito.
A reconciliação sem a briga.
A satisfação sem o esforço.
A felicidade sem motivos.
Porém.
Não existiria o amor, só confiança.
Felicidade sem sorriso.
Choro sem sentimento
Vida sem a música.
E.
Eu, sem meu amor.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
attention whore
chato.burro
persistente carente estúpido
agonia que gera agonia
e tristeza
pausa
(suspiro)
pausa
(insira o vazio aqui)
por quê?
Sim, por quê.
Irracional domina o racional?
Não, não é irracional. É burro.
persistente carente estúpido
agonia que gera agonia
e tristeza
pausa
(suspiro)
pausa
(insira o vazio aqui)
por quê?
Sim, por quê.
Irracional domina o racional?
Não, não é irracional. É burro.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
devaneios.
Água e Fogo.
Infeliz antítese.
A água é racional, pura e bela. O fogo é animalesco, selvagem.
A água aquece o fogo.
O fogo? Inconseqüente. Sozinho, destrói. Junto, aquece.
Brilhante. A água, envolvente, melhor morna do que fria. Porém, quente, evapora.
O fogo solitário extingüe água e a si mesmo.
A água fria limpa, mas não agrada.
Não quero ter o fogo solitário. Mas às vezes sinto.
Fogo e Água.
Infeliz metáfora.
Infeliz antítese.
A água é racional, pura e bela. O fogo é animalesco, selvagem.
A água aquece o fogo.
O fogo? Inconseqüente. Sozinho, destrói. Junto, aquece.
Brilhante. A água, envolvente, melhor morna do que fria. Porém, quente, evapora.
O fogo solitário extingüe água e a si mesmo.
A água fria limpa, mas não agrada.
Não quero ter o fogo solitário. Mas às vezes sinto.
Fogo e Água.
Infeliz metáfora.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Cap. I
Era um perdido, um sem rumo. Amigos? Mera necessidade efêmera, algo como defecar, estúpido hábito de um corpo irracional.
Já não se sentia humano, e nem precisava se sentir, estava satisfeito. A palavra filho da puta era motivo de orgulho. Traições, mentiras e seu sorriso cínico. Era tudo de que precisava para passar seus dias. Tentava se convencer de que tudo que precisava era ser o grande filha da puta. Porém a tentativa era tão brilhante quanto seus atos. Não servia para nada, porém nunca admitiu isso para si mesmo. Afinal, só não conseguia porque realmente não queria, ou não.
Já não se sentia humano, e nem precisava se sentir, estava satisfeito. A palavra filho da puta era motivo de orgulho. Traições, mentiras e seu sorriso cínico. Era tudo de que precisava para passar seus dias. Tentava se convencer de que tudo que precisava era ser o grande filha da puta. Porém a tentativa era tão brilhante quanto seus atos. Não servia para nada, porém nunca admitiu isso para si mesmo. Afinal, só não conseguia porque realmente não queria, ou não.
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